Desenvolvimento de um Plano de Manejo para o Tuco-tuco-das-dunas
O Projeto Tuco-tuco é uma reunião de pesquisadores dos departamentos de Genética, Ecologia e Zoologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, liderados pelo Professor Doutor Thales Renato Ochotorena de Freitas que vem estudando sobre a fauna de mamíferos neo-tropicais brasileiros, concentrando suas pesquisas em roedores subterrâneos do gênero Ctenomys, conhecidos popularmente como Tuco-tucos. Cinco espécies deste gênero ocorrem no Sul do Brasil e possuem processos evolutivos incomuns. Ao mesmo tempo, estas espécies estão sofrendo pressões antrópicas muito fortes que estão colocando em risco, não só as espécies, como os próprios processos evolutivos. Os Tuco-tucos são pequenos roedores fossoriais, ou seja, animais que vivem em galerias no solo e nestas desenvolvem todas as atividades biológicas, como por exemplo: alimentação, reprodução e cuidado da prole. Tal hábito fossorial, levou Darwin durante sua viagem pela América do Sul, a crer que estes animais fossem cegos. Mas ele estava enganado, pois além de enxergarem muito bem, estes roedores vem à superfície limpar a toca, buscar alimento e para vocalizar – som tal que lhe confere o nome popular. Os Tuco-tucos se alimentam de raízes e folhas de gramíneas que se encontram ao redor das aberturas. Apesar de quase todas as espécies destes roedores viverem solitárias em uma única toca, os animais são encontrados geralmente em tuqueiras, que são conjuntos de tocas individuais próximas umas das outras. Os Tuco-tucos são parentes próximos de roedores popularmente conhecidos como Capivara, Ratão-do-banhado, Porquinho-da-Índia e Chinchila, entre outros roedores exclusivos da América do Sul. As cinco espécies são as seguintes:
Ctenomys flamarioni Habita a primeira linha de dunas da região costeira do Estado do Rio Grande do Sul, desde a praia do Hermenegildo (Santa Vitória do Palmar) ao Sul, até aproximadamente 25km ao sul de Torres, no limite Norte. Possuem uma coloração clara, quase da cor da areia. Ctenomys minutus Habita as dunas internas e os campos arenosos da Planície Costeira, desde o sul do Farol de Santa Marta, em Santa Catarina, até o município de Tavares, no Rio Grande do Sul. Ctenomys torquatus Ocorre na região da Campanha do Estado, sendo delimitada pelas localidades de Candiota, Minas do Leão, Pelotas, Rio Grande e TAIM, no Brasil, e Norte do Uruguai, ocupando campos abertos. Possui coloração acastanhada no dorso e laterais, esbranquiçada no ventre e um colar branco. Este roedor foi escolhido para biomonitorar regiões de extração de carvão por apresentar as seguintes características, de acordo com normas internacionais e concordância do IBAMA. Ctenomys lami Ocupa a região denominada Coxilha das Lombas, próximo a Porto Alegre, em uma distribuição restrita à esta formação, indo desde o nordeste do Rio Guaíba até a margem sudoeste da Lagoa dos Barros, no Estado do Rio Grande do Sul. Ctenomys sp. Apresenta a distribuição mais a Oeste para este gênero no estado, perto da cidade de Alegrete, sendo sua distribuição muito restrita, possivelmente limitada a 60Km². Isto torna imprescindível um estudo imediato, desta que pode vir a ser descoberta como a espécie mais ameaçada dentre as cinco, com probabilidades de se tornar extinta em pouco tempo, devido ao impacto humano com as plantações agrícolas e pastagens de gado da região. Sua pelagem é diferente das demais, pois apresenta manchas claras em contraste com o fundo marrom escuro.
Ao longo de sua história, o Projeto Tuco-tuco tem se detido na produção de artigos científicos, de divulgação, exposições em congressos científicos, trabalhos de educação ambiental, pesquisa e formação de recursos humanos, destacando a quantidade de obras aceitas em revistas internacionais, nacionais, meios de divulgação científica, mídia e formação de alunos de pós-graduação em instituições federais de ensino. Atualmente, vem sendo realizados trabalhos por pesquisadores e alunos de pós-graduação nos seguintes temas:
• Ecologia, história de vida e dinâmica populacional de Ctenomys flamarioni na Estação Ecológica do TAIM; • Ecologia e relações sociais e de parentesco de Ctenomys lami no Parque Estadual de Itapuã; • Filogeografia e genética de Ctenomys flamarioni em toda sua área de distribuição no litoral do Rio Grande do Sul; • Relações craniométricas em Ctenomys lami; • Filogeografia, relações craniométricas e evolução de Ctenomys torquatus; • Descrição da espécie nova recentemente descoberta; • Genética e ecologia de Ctenomys minutus. • Participação em atividades de Educação Ambiental no CECLIMAR (Centro de Estudos Costeiros e Limnológicos Marinhos do Rio Grande do Sul).
Além destes, existe um projeto que estuda fatores evolutivos entre as cinco espécies de Ctenomys do Estado do Rio Grande do Sul. Nosso projeto, além da produção intelectual, busca também a conscientização ecológica e a divulgação científica, para resultar num retorno à sociedade das informações apreendidas. Nisto, temos conseguido um certo espaço na mídia, como demonstram as reportagens na revista National Geographic Society da descoberta da nova espécie, uma outra reportagem num jornal de circulação Estadual (Correio do Povo), divulgando nosso trabalho na Estação Ecológica do TAIM e uma participação especial no programa Globo Repórter do dia 27 de fevereiro de 2005, o qual tinha como tema central o Litoral Gaúcho, tendo como destaque o Tuco-tuco-das-dunas (Ctenomys flamarioni).
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