Estabilidade desenvolvimental de populações de curiango-do-banhado
O curiango-do-banhado (Eleothreptus anomalus) é uma espécie enigmática. Seus hábitos noturnos e discretos dificultam o entendimento de sua biologia. Pouco se sabe sobre as poucas populações conhecidas dessa espécie e menos ainda da situação em que as mesmas se encontram nos hábitats onde vivem (campos secos ou banhados com gramíneas altas). Estudaremos a maneira como o curiango-do-banhado ocupa o ambiente em que vive e a situação em que suas populações se encontram em uma área protegida de banhado com mais de 1.000 hectares em Viamão e em uma mancha de banhado com cerca de 100 ha no balneário de Capão Novo, litoral do Estado. Pretendemos com os resultados do trabalho fornecer informações para que a comunidade científica tenha um melhor conhecimento da espécie e para que as populações locais e comunidade em geral possam entender melhor a necessidade de conservação da natureza.
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Estudo do status populacional da onça-pintada e de outros mamíferos de médio porte no Parque Estadual do Turvo, RS.
Dezenove dos 29 mamíferos de grande e médio porte que vivem no parque foram fotografados Se as onças-pintadas conseguem fugir dos olhos dos visitantes do Parque Estadual do Turvo, em Derrubadas (530 quilômetros de Porto Alegre), não escaparam dos flashes de máquinas fotográficas instaladas na mata para a identificação dos mamíferos que ali vivem. Desde janeiro, pesquisadores tentam definir qual é a população de onças-pintadas do parque, o último reduto delas no Estado. A situação genética - se há cruzamento entre parentes - também é analisada. Outros mamíferos de médio porte também são estudados na maior área de conservação do Rio Grande do Sul. Para isso, 10 câmeras fotográficas fixas foram instaladas em árvores e outras seis são colocadas no período em que os estudiosos ficam no parque. São chamadas de armadilhas fotográficas: disparam automaticamente com o calor do animal ao cruzar na frente do equipamento. - Pelo tamanho do parque e do grande território que cada onça-pintada utiliza, acreditamos que existam no máximo cinco delas - estima um dos pesquisadores, o biólogo Carlos Benhur Kasper. O estudo, realizado pela organização não-governamental (ONG) porto-alegrense Theris, conta com o apoio da Fundação O Boticário de Proteção à Natureza e a colaboração da Secretaria Estadual de Meio Ambiente. Além de Benhur, integram o projeto os ecólogos Fábio Dias Mazim e José Bonifácio Garcia Soares e o biólogo Tadeu Gomes de Oliveira. Não só as onças foram flagradas pelas câmeras instaladas próximo às estradas de chão do parque. Outros animais escondidos pelas florestas de longas árvores nativas de até 30 metros de altura também foram captados pelas lentes. Exemplares de tapiti, lebre, cutia, gambá-de-orelha-branca, gambá-de-orelha-preta, macaco-prego, tatu-galinha, capivara, veado, graxaim-do-mato, coati, mão-pelada, jaguatirica, gato-maracajá, gato-mourisco, irara, tamanduá-mirim e lontra são vistos passeando pelo santuário. - A população de onça-pintada depende da conservação das outras populações. SILVANA DE CASTRO
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Desenvolvimento de um Plano de Manejo para o Tuco-tuco-das-dunas
O Projeto Tuco-tuco é uma reunião de pesquisadores dos departamentos de Genética, Ecologia e Zoologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, liderados pelo Professor Doutor Thales Renato Ochotorena de Freitas que vem estudando sobre a fauna de mamíferos neo-tropicais brasileiros, concentrando suas pesquisas em roedores subterrâneos do gênero Ctenomys, conhecidos popularmente como Tuco-tucos. Cinco espécies deste gênero ocorrem no Sul do Brasil e possuem processos evolutivos incomuns. Ao mesmo tempo, estas espécies estão sofrendo pressões antrópicas muito fortes que estão colocando em risco, não só as espécies, como os próprios processos evolutivos.
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Projeto cardeal-amarelo - biologia da conservação, ecologia populacional, comportamento e filogeografia de Gubernatrix cristata.
A biologia de Gubernatrix cristata é praticamente desconhecida, sendo uma espécie típica dos campos sulinos (Azpiroz, 2003). Os campos sulinos possuem uma área de um milhão de km², ocupando regiões de quatro países: Brasil, Uruguai, Argentina e Paraguai. O ecossistema foi intensamente transformado pela atividade humana, com a transformação de terras de pastejo em cultivos ou plantações de árvores exóticas. Sendo estas últimas as principais causas da diminuição da superfície dos campos sulinos. As reservas naturais representam menos de 1% da área deste ecossistema que tem 24 espécies de aves ameaçadas (BirdLife International, 2004). Além de ser restrito a esse bioma, G. cristata é raro e de distribuição restrita, sendo o seu status de conservação definido com criticamente em perigo (Fontana et al. 2003). A espécie declinou substancialmente ao longo de toda a sua área de ocorrência e as populações restantes são pequenas e isoladas (BirdLife International, 2000). É rara na Argentina, exceto em alguns poucos locais específicos, sendo considerada Vulnerável (Fraga, 1997). No Uruguai, onde era encontrada em 13 departamentos, existem atualmente só parcos registros para a fronteira oeste (BirdLife International, 2000; Azpiroz, 2001). Segundo Arballo & Cravino (1999), o cardeal-amarelo é a ave mais ameaçada de extinção em todo o território uruguaio. No Rio Grande do Sul, era considerado escasso já nas décadas de 1970 e 1980 (Belton, 1994), tendo declinado ainda mais desde então e estando agora confinado a trechos restritos da Serra do Sudeste e da ponta oeste, onde quase não é mais visto. A população da Serra do Sudeste pode estar isolada de outras populações da espécie, tendo em vista a situação do cardeal-amarelo nas áreas adjacentes do Uruguai. A julgar pelo número de exemplares coletados em território gaúcho até meados do século XX, porém, a espécie não parece ter sido rara no extremo sul do Estado. Entretanto, a existência de populações silvestres no município de Santa Vitória do Palmar é hoje veementemente refutada por criadores de pássaros da região, um claro indício de seu declínio no Rio Grande do Sul. A captura contínua de indivíduos na natureza para a criação em cativeiro ou para abastecer o comércio ilegal de pássaros canoros é a principal causa de seu declínio populacional (BirdLife International, 2000). As aves capturadas são, em sua maioria, machos territoriais atraídos com auxílio de um chamariz. O crescente registro de híbridos entre o cardeal-amarelo e o diuca (Diuca diuca) na Argentina parece ser uma resposta à escassez de indivíduos masculinos na população da espécie (Bertonatti & Guerra, 1997, 2001). No Rio Grande do Sul, o cardeal-amarelo é capturado principalmente nos municípios de Piratini e Pinheiro Machado. A destruição e descaracterização do hábitat têm sido enumeradas como possíveis ameaças adicionais à espécie (Chebez, 1994; BirdLife International, 2000). A maior parte da paisagem original do extremo sul e oeste do RS foi convertida em lavouras de arroz e pastagens para o gado e, mais recentemente, em silvicultura de Eucalipto. Nas saídas a campo, durante o projeto-piloto, raríssimos indivíduos foram encontrados, comprovando a severa redução que a espécie está sofrendo e a urgência de estudos científicos e ações conservacionistas.
theris@theris.org.br